seringa111

Escolhi este assunto hoje, pois tenho recebido a visita de muitos pacientes procurando a cura de sua alergia com vacinas para a alergia, este tratamento é conhecido como IMUNOTERAPIA ALÉRGENO ESPECÍFICA esta tem sua indicação para determinados tipos de alergias e que fique claro que na atualidade não se deve utilizar para todos os tipos de alergia, nem para todos os tipos de pacientes.

A imunoterapia alérgeno específica segundo a Organização Mundial da Saúde em mil novecentos e noventa e oito é realizada com a administração de quantidades gradualmente maiores de um extrato alergênico em uma pessoa alérgica com o objetivo de melhorar os sintomas associados às exposições que ocorrerem posteriormente ao mesmo tipo de alérgeno utilizado no tratamento.

Na atualidade é o único tratamento efetivo capaz de alterar o curso natural da doença alérgica, impedindo, por exemplo, que a rinite de causa alérgica evolua para a bronquite também de causa alérgica.

IT aplicaçãoA imunoterapia é utilizada na história de medicina desde o século XX e agora em 2011 completou 100 anos,  hoje é o único procedimento terapêutico exclusivo dos médicos especialistas em imunologia clínica.

Entre as principais indicações temos as Rinites, Bronquites, conjuntivites de causa alérgicas e alergias a picadas de insetos do grupo himenópteros como exemplo abelhas e marimbondos.ferroada de abelha

É muito importante que o médico alergista encontre na história do paciente, no exame físico as evidências da existência da doença alérgica e com os exames subsidiários encontre o nexo com os antígenos de alergia específicos, ou seja, o IgE. O melhor exame e de menor custo é o teste de puntura (prick test), somente depois do diagnóstico firmado, a avaliação dos benefícios, aceite e adesão do paciente ao tratamento é que se indica ou se inicia a imunoterapia sempre associado a controle ambiental e medicamentos.

Temos grupos de pacientes que tem indicação dependente da idade e de indicações clínicas.

A Organização Mundial da Saúde em suas orientações referem como contra indicações relativas

  • Doenças com imunodeficiência grave ou condições imunopatológicas sérias
  • Malignidade
  • Doenças psicológicas graves
  • Tratamento com beta bloqueador, mesmo quando administrados topicamente.
  • Má adesão ao tratamento
  • Asma grave não controlada por medicamentos
  • Doenças cardiovasculares graves com arritmias
  • Crianças abaixo de cinco anos de idade

Quanto à idade crianças abaixo de quatro anos de idade não considero indicado, pois o paciente está com seu sistema imunológico em desenvolvimento, em processo de maturação de seu sistema imunológico além da aderência ao tratamento nesta idade ser menor.

No grupo de paciente de idade avançada a não realização da imunoterapia é uma contraindicação relativa  pois podem ocorrer co-morbidades que aumenta o risco de reações graves. Estas co-morbidades na maioria das vezes são doenças cardíacas com uso de antiarrítmicos bem com o uso de beta-bloquadores*,  o uso da imunoterapia com alérgenos podem desencadear reações sistêmicas e o tratamento destas reações pode ser dificultado até mesmo impossibilitado pelo uso do beta-bloqueador.

Em caso de anafilaxia o primeiro medicamento que deve ser utilizado é a adrenalina.

Quando o paciente faz uso de beta-bloqueadores que apresentem anafilaxia a adrenalina pode não produzir o efeito desejado nestes casos uma boa opção a ser utilizada é o glucagon**

Uma exceção que se faz aqui na indicação da imunoterapia é a alergia a himenópteros, pois nesse caso a chance de uma ferroada de abelhas e morte da pessoa alérgica que esta em uso de antiarrítmicos beta-bloqueadores é maior que o risco da realização da  imunoterapia, que fique bem claro que em casos de arritmias graves ou doença coronariana não se deve suspender os medicamentos e sim levar este tratamento para um nível onde os controles são contínuos e exista uma equipe treinada para emergência anafilática em pacientes com uso destes medicamentos nas cardiopatias.

Quanto as gestantes não se deve iniciar a imunoterapia devido à possibilidade de em qualquer fase da imunoterapia existir a chance de ocorrer anafilaxia e assim colocar em risco a gestação.

No caso dos pacientes em crises alérgicas não devem receber a imunoterapia, pois a mesma pode agravar a crise alérgica exemplo importante é a asma grave ou sem controle medicamentoso, somente após o controle é que se deve iniciar a imunoterapia, porem aqueles pacientes asmáticos que mesmo em uso de mediações e após o controle apresentem evidencias em suas prova de função pulmonar que exista uma função pulmonar menor que 70% com certeza não haverá beneficio da imunoterapia, portanto não a vejo nesta situação como uma boa indicação.

Hoje uma doença que tem apresentado melhora com o uso da imunoterapia é a dermatite alérgica, que apresenta um fator hereditário e de exposição ambiental a alérgenos, faz parte da comentada marcha atópica ou alérgica onde a marcha pode se iniciar na dermatite alérgica “marchar” para rinite e evoluir para a bronquite alérgica (asma).

Rinite Alérgica
Rinite Alérgica
Brônquio durante crise de espasmo - ASMA
Brônquio durante crise de espasmo – ASMA

Acho muito importante falar que outras doenças diferentes das mencionadas não tem indicação de tratamento imunoterápico como, por exemplo, Urticária, Dermatite de contato, Sinusite, alergia alimentar, alergia a medicamentos, gripes e doenças infecciosas.

Reforço que no tratamento das rinites e asmas, mesmo a ferroadas de marimbondo e abelhas deve-se associar ao uso de medicamentos, controle ambiental e imunoterapia enfim todos os meios juntos para rapidamente se atingir o controle da doença alérgica e assim proporcionar uma melhora na qualidade de vida da pessoa alérgica.nebulimetro

 

 

Clínica de Alergia de Rio Verde
Clínica de Alergia de Rio Verde

Por Wilen Brasil Jr

Médico Alergista e Imunologista Clínico.

Notas:

*beta-bloqueadores: quando do uso da adrenalina pode interferir no seu efeito ocasionando um aumento da atividade alfa agonista desencadeando broncoespasmo, bloqueio atrioventricular e bradicardia devido ao aumento do reflexo vagal.

**Glucagon: atua diretamente na ativação da enzima adenilato-ciclase sem o uso do receptor beta adrenérgico, podendo reverter o broncoespasmo e a hipotensão refratária.

 

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